segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Deu na Folha de S. Paulo: Ex-funcionário do Careca do INSS diz à PF que filha de senador Weverton viajou em jatinho do empresário


Segundo matéria publicada pela Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (19), um ex-funcionário do empresário e lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, disse em depoimento à Polícia Federal que uma filha do senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo, viajou em uma aeronave do empresário.

Segundo o relato feito à PF no dia 12 de novembro, o encontro teria ocorrido no aeroporto Catarina, no município de São Roque, em São Paulo, em 21 de fevereiro de 2024.

Naquele dia, a testemunha e Antunes teriam desembarcado na cidade paulista, partindo de Brasília. O depoente relatou que, após o pouso, o lobista saiu do aeroporto e retornou cerca de duas horas depois, trazendo cinco malas. Em seguida, a mulher, reconhecida pelo depoente como filha do senador, teria aparecido e cumprimentado o empresário. De lá, os três partiram rumo a Brasília.

Durante o voo, segundo o ex-funcionário, ela teria comentado que vinha do exterior, dizendo se lembrar de Antunes de uma fazenda em São Luís, no Maranhão.

Segundo o depoente, ao chegar à capital federal, duas das cinco malas permaneceram com Antunes, e as outras três seguiram na aeronave apenas com a mulher. O destino final seria São Luís, no Maranhão.

A mesma testemunha já havia mencionado ligações de Weverton com Antunes em outros depoimentos à PF. Em 29 de outubro, o ex-funcionário relatou que, após a deflagração da operação Sem Desconto, que investiga desvios de aposentadorias do INSS, Antunes disse estar tranquilo por contar com o apoio do senador Weverton, sem especificar a motivação. Também teria dito que estava “desmontando o circo” em conjunto com ele.

A menção à filha do senador é mais um relato que liga Weverton ao empresário, apontado como figura central do esquema pela PF.

O senador foi alvo de busca em sua casa durante uma fase da operação Sem Desconto, deflagrada no dia 18 de dezembro.

Procurada pela reportagem, a assessoria do senador afirmou que o depoimento do homem “sequer foi considerado pela Procuradoria da República pela absoluta falta de materialidade e conexão com fatos em relação a mim”.

“Reitero que não tenho conexões financeiras com os investigados, assim como ninguém da minha família”, disse o parlamentar, em nota.

Já a defesa de Antunes disse que a testemunha não tem qualquer credibilidade e “extorquiu, furtou e agora se aproveita da situação para inventar mentiras”.

Weverton é suspeito de ter sido o beneficiário final e sócio oculto do esquema, por meio de pessoas interpostas, como assessores parlamentares.

A polícia apontou também que os principais investigados pelo esquema mantinham vínculos estreitos com agentes políticos, especialmente com Weverton, que seria o sustentáculo político do esquema.

Essa relação, segundo a PF, ampliaria a capacidade de influência e blindagem institucional do grupo.O órgão chegou a pedir a prisão do senador ao relator do inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro André Mendonça, mas ele negou. A PGR (Procuradoria-Geral da República) também não viu a necessidade da prisão.

Já Antunes está preso desde setembro, após as apurações indicarem que ele teria pagado propina a servidores do INSS e do Ministério da Previdência para facilitar os descontos indevidos nas contas dos aposentados.

Em depoimento à CPI do INSS, o empresário declarou que foi a um churrasco de costela na casa de Weverton, quando teria falado com o senador sobre a regulação da venda de derivados de cannabis, sem ligação com descontos em aposentadorias.

Ele também afirmou que esteve no gabinete do senador em outras ocasiões, mas que não conversou com o político.

O interlocutor teria sido Adroaldo Portal, secretário-executivo do Ministério da Previdência, que na época trabalhava no gabinete de Weverton. Ele foi colocado em prisão preventiva domiciliar na mesma operação que mirou o senador.

Esta visita também teria sido para tratar sobre o mercado de cannabis, segundo o empresário.

Outro vínculo do senador com o esquema seria o seu ex-assessor Gustavo Gaspar, também preso durante a operação. Ele teria assinado uma procuração de movimentação de contas bancárias e entregado para Rubens Oliveira, apontado como um dos operadores dos descontos irregulares.

Integrantes da CPI também citam contra Weverton uma suposta relação entre suas empresas e um contador que também prestava serviços para firmas de Antunes.

Além disso, é mencionado o suposto compartilhamento de um jatinho entre o senador e o careca do INSS.

O parlamentar também teria apoiado a indicação de André Fidelis como diretor de Benefícios do INSS, que foi preso em novembro, durante a operação.

Weverton ocupa uma cadeira no Senado pelo Maranhão desde 2018, quando foi eleito com 34,91% dos votos válidos, com apoio do então governador Flávio Dino, hoje ministro do STF.

Quatro anos depois, Rocha concorreu ao governo maranhense e perdeu para o candidato de Dino, o atual governador Carlos Brandão (PSB).

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