quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Candidatura de Detinha em São Luís é jogada de Josimar de Maranhãozinho para ganhar projeção estadual

A corrida para a Prefeitura de São Luís ganhou ontem um ingrediente a mais e diferenciado: a pré-candidatura da deputada estadual Detinha (PL), ex-prefeita de Centro do Guilherme, um dos feudos políticos do deputado federal Josimar de Maranhãozinho, seu marido e mentor político, já também lançado candidato ao Governo do Estado em 2022. Com a iniciativa, por ela própria confirmada ontem em discurso na Assembleia Legislativa, Detinha desembarca na seara política da Capital com uma marca e um objetivo bem claros. A marca: é a primeira, e provavelmente a única, mulher na disputa, já que a ex-governadora Roseana Sarney não aceitou o convite do MDB. O objetivo: demarcar um espaço para o marido no território político de São Luís. Sua candidatura é o desfecho de uma série de movimentos malsucedidos feitos por Josimar de Maranhãozinho para figurar na linha de frente da política estadual.
Para quem não a conhece, Detinha é Maria Deusdete Lima Cunha Rodrigues, assistente social cearense, natural de Cariús, cidade de 18 mil habitantes distante 411 quilômetros de Fortaleza, casada com o empresário e político cearense Josimar Cunha Rodrigues, natural de Várzea Alegre, cidade de 40 mil habitantes 446 quilômetros distante de Fortaleza, hoje conhecido como Josimar de Maranhãozinho. Ele foi prefeito de Maranhãozinho de 2005 a 2012, foi o deputado estadual mais votado em 2014 (99.252 votos) e o deputado federal mais votado em 2018 (195.798 votos), controlando com mão de ferro o braço maranhense do agora PL. Ela foi prefeita de Centro do Guilherme de 2009 a 2015 e foi campeão de votos (88.402) em 2018 para a Assembleia Legislativa, onde comanda a chamada “Bancada do Josimar”, formada pelos deputados Hélio Soares, Vinícius Louro e Leonardo Sá. Josimar de Maranhãozinho tem o controle político e, dizem, administrativo de várias prefeituras, entre elas a de Zé Doca, a mais importante do Alto Turiaçu, comandada por sua irmã, Maria Josenilda Cunha Rodrigues (PL), e uma bancada fiel na Câmara Federal, formada pelos deputados Júnior Lourenço. Pastor Gildenemyr e Marreca Jr.. Em São Luís, controla o vereador Aldir Jr. (PL).
A candidatura da deputada Detinha à Prefeitura de São Luís pouco ou nada tem a ver com o seu desempenho como prefeita de Centro do Guilherme, município de 12 mil habitantes localizado na Região do Gurupi. Trata-se, na verdade, de uma jogada ousada de Josimar de Maranhãozinho para ganhar projeção política e sentar na mesa principal das negociações para a sucessão estadual de 2022. Para ele, não interessa permanecer rotulado como um político interiorano, marcado pela sombra de controvérsias. Seu projeto é adquirir estatura de político estadual, e para alcançar esse objetivo é imperativo mostrar força também em São Luís. Um projeto arrojado, que vem sendo tentado sem sucesso desde o ano passado.
A movimentação de Josimar de Maranhãozinho para ganhar força em São Luís começou para valer em meados de 2019, quando ele investiu fortemente para fazer o deputado federal Eduardo Braide, então no PMN e líder nas pesquisas, candidato do seu partido, o hoje PL. Nas várias rodadas de conversa, Eduardo Braide percebeu com clareza que Josimar de Maranhãozinho pretendia usá-lo para se fortalecer politicamente e recusou a proposta. Com o fracasso da investida sobre Eduardo Braide, Josimar de Maranhãozinho jogou pesado para cooptar os deputados Duarte Júnior, que ganhou liberação do PCdoB e se tornou pré-candidato do Republicanos, e Yglésio Moisés, que foi liberado pelo PDT e se tornou pré-candidato do PROS. Com a recusa dos três, o chefe do PL ficou sem alternativa fora do seu partido.
A candidatura da deputada Detinha à Prefeitura de São Luís foi a solução encontrada por Josimar de Maranhãozinho para fincar estacas e demarcar algum território na Capital, de modo a ganhar projeção estadual como um líder político com estatura para disputar o Governo do Estado. O discurso que fez ontem na Assembleia Legislativa foi revelador de que ela entra como parceira de um projeto mais ambicioso do marido. Isso, porém, não invalida o fato de que, caso seja mantida, será uma candidatura também para ser levada em conta, por mais estranha que pareça ao cenário político ludovicense.


Por Reporte do Tempo

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