terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Carlos Brandão, Weverton Rocha e Josimar de Maranhãozinho fecham 2019 de olho no Palácio dos Leões em 2022

Por mais que uma ou outra voz de peso lembre que ainda é muito cedo para tocar no assunto, a verdade indiscutível e dominante no meio político é a de que a corrida sucessória de 2022 já começou, tanto no plano federal, quanto na seara estadual. O Maranhão político encerra 2019 observando atentamente a três movimentos que visam o Palácio dos Leões. Um deles é protagonizado pelo vice-governador Carlos Brandão (PRB), que busca reunir cacife para tornar-se o sucessor natural do governador Flávio Dino (PCdoB); o outro é liderado pelo senador Weverton Rocha (PDT), que saiu das urnas de 2018 cacifado para se lançar como cabeça de chapa da aliança comandada pelo governador Flávio Dino; e o terceiro é chefiado pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL), que corre por fora com parecendo decidido a ser candidato a governador de qualquer maneira. Nesse tabuleiro ainda impreciso, além de impulsos cada vez menos frequentes do senador Roberto Rocha (PSDB) e de uma perspectiva ainda nebulosa do deputado federal Eduardo Braide (Podemos), a Oposição politicamente mais forte e concentrada no que restou do Grupo Sarney não dá sinais de projetos no campo sucessório estadual, mantendo a ex-governadora Roseana Sarney como possibilidade. Assumidos ou ainda não, os aspirantes à sucessão de Flávio Dino entrarão 2020 focados nas eleições municipais, cujos resultados serão decisivos para 2022.
O vice-governador Carlos Brandão há tempos assumiu a condição de candidato a candidato a governador. O fez autorizado pela excelente relação pessoal, institucional e política com o governador Flávio Dino, que o tem na conta de um vice correto, útil e confiável. Ao contrário de vices que vivem a eterna “expectativa de direito” e se dedicam à conspiração para minar o titular, Carlos Brandão firmou-se como um membro destacado da equipe de Governo, assumindo tarefas de grande importância, como as de correr o mundo em busca de investimentos para o Maranhão, atuando também como representante do chefe e de governador temporário em várias ocasiões, sem o registro de qualquer deslize ou excesso que arranhasse a confiança. Ao mesmo tempo, Carlos Brandão alinhavou uma agenda de conversas políticas com interlocutores importantes, como deputados federais, deputados estaduais, prefeitos e vereadores de todas as cores partidárias, bem como líderes da sociedade civil organizada, empresários, líderes comunitários e sindicais, artistas, intelectuais e jornalistas. Com esses movimentos fecha 2019 embalado para intensificar sua agenda em 2020, pretendendo ampliar seu cacife nas eleições municipais. Movimenta-se com o aval discreto, mas descompromissado, do Palácio dos Leões
Conhecido como “uma máquina de fazer política”, como definem   aliados e adversários, o senador Weverton Rocha ampliou muitas vezes os seus movimentos de candidato a candidato a governador, trabalhando em três frentes para fortalecer seu projeto de candidatura. Primeiro tenta ampliar o raio de ação do PDT, que comanda com mão de ferro. Segundo, intensifica sua aproximação com prefeitos por meio da Famem, presidida por seu coordenador, Erlânio Xavier, prefeito de Igarapé Grande. E, terceiro, exerce um mandato senatorial de maneira integral, propositiva e com posições políticas firmes no campo oposicionista, atuando ainda como articulador eficiente. Com essas credenciais, Weverton Rocha opera sem descanso para viabilizar seu projeto de chegar ao Palácio dos Leões em 2022, mas sempre ressalvando que a empreitada está diretamente relacionada com o caminho que o governador Flávio Dino vier a tomar visando sua própria sucessão. O senador sabe que as eleições municipais, especialmente a de São Luís, terão peso decisivo na corrida sucessória estadual, e já investe forte para que o resultado das urnas reforce o lastro político e eleitoral que está construindo para chegar em 2022 devidamente cacifado. Seus movimentos são também discretamente avalizados, mas também sem compromisso, pelo Palácio dos Leões.
O terceiro movimento aberto e assumido para a sucessão estadual é feito pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho, chefe do PL no Maranhão. Político controvertido, dono de surpreendente poder de persuasão e movido por um arrojo incomum, Josimar de Maranhãozinho se move na corrida sucessória respaldado por uma bancada com três deputados federais e outra com quatro deputados estaduais, além de um batalhão de prefeitos e vereadores espalhados nas mais diversas regiões do estado. Esse cacife o fez campeão de votos para a Câmara Federal (191 mil), e sua mulher, Detinha (88 mil), campeã na corrida à Assembleia Legislativa. Aliado do governador Flávio Dino, com momentos furta-cor, Josimar de Maranhãozinho faz uma política agressiva, do tipo preto no branco, com resultado, e em vários aspectos polêmica. Ele não mede esforços nem meios para alcançar seus objetivos e já deixou claro, em várias entrevistas, que o projeto de disputar o Governo do Estado é para valer, independentemente do desenho que venha a ser dado pelo governador Flávio Dino. Sabe que dificilmente será o candidato do Palácio dos Leões, mas está determinado a seguir em frente, apostando que sairá fortalecido das eleições municipais.
Os três, cada um a seu modo, vão jogar duro na corrida eleitoral de 2020, certo de que o resultado que sair das urnas será decisivo para seus projetos de poder.


 Repórter do Tempo

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