quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

São Luís-MA- Casarões do Centro Histórico podem desabar

Corpo de Bombeiros fez mapeamento técnico de imóveis em 2015 e verificou que 101 casarões estavam em situação de risco
Foi no século XVIII que os casarões, mirantes e sobrados revestidos de azulejos do Centro Histórico de São Luís começaram a ser erguidos, reflexo do grande crescimento econômico que a cidade experimen­tou, àquela época. Mas o que já foi símbolo da pujança econômica de São Luís, hoje, à exceção dos velhos sobrados que não foram ocupados por órgãos públicos ou pelo comércio, é um conjunto de imóveis em estado de deterioração. Situação que preocupa quem mora ou trabalha na área toda vez que o período chuvoso começa na capital.
Basta caminhar pelas ruas do bairro Praia Grande para ver imóveis coloniais com paredes rachadas ou com o reboco comprometido, com o telhado ou parte dele desabando, madeira do assoalho solta, sem portas ou janelas. Em alguns, as paredes já foram tomadas por plantas que crescem sem controle. Muitas das ruínas servem ainda como depósito de lixo e esconderijo para usuários de drogas.
A Rua da Palma é uma das mais conhecidas do Centro Histórico de São Luís e é ela o endereço de muitos casarões em estado de deterioração. Os de número 403, 392 e 489 estão com as portas e janelas vedadas com tijolos para impedir a entrada de pessoas. No imóvel 468, escoras de madeira ajudam a estabilizar o que ainda resta do prédio colonial. “Essas escoras têm uns dois anos ou mais. Aliás, têm muito prédio aqui escorando. Acho que, se não fosse assim, já tinham caído”, afirmou o comerciante Gilberto de Souza.
Mapeamento

Em 2015, o Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBM) fez um mapeamento técnico de prédios e imóveis do Centro Histórico de São Luís. De acordo com os dados, 101 casarões estavam em situação de risco. As equipes técnicas dos bombeiros analisaram o grau de vulnerabilidade, as condições das instalações e estruturas físicas das cons­truções.

Agora, com a chegada do período chuvoso, o temor é de que essa situação se agrave e a estrutura dos imóveis desabe, causando acidentes. “Quando começa a chover, a gente, que trabalha pela Praia Grande, já fica com receio. Sempre acontecem vistorias, mas este ano não vi nada. Talvez porque ainda não está chovendo para va­ler”, comentou Ana Maria Pereira, que tem uma banca de lanches na Rua da Palma.
Segundo dados do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em São Luís, mais de 5 mil imóveis situados no Centro Histórico da capital são tombados, mas apenas 10% pertence ao setor público. O restante é particular e são justamente esses prédios que apresentam os maiores riscos de desmoronamento, pois, alegando não ter recursos para investir na conservação dos casarões, os proprietários não investem na conservação dos sobrados.
As paredes dos casarões são feitas de pedra e barro, o que facilita a infiltração e aumenta os riscos de desabamento de telhados e paredões. Para evitar esse tipo de problema, o Iphan realiza obras de escoramento emergencial, reforço estrutural e recuperação em 40 casarões coloniais no Centro Histórico. Uma dessas obras é em um casarão da Rua da Palma, onde estão sendo executadas obras emergenciais de estabilização e consolidação da estrutura do casarão colonial. Muitas destas intervenções realizadas pelo órgão são determinações da Justiça.
A Secretaria Municipal de Segurança com Cidadania, por meio da Defesa Civil Municipal, informou que a vistoria ainda está em fase de conclusão e que os resultados serão divulgados assim que o levantamen­to for concluído.
NÚMEROS

2.342 imóveis do Centro Histórico são tombados pela Unesco desde 1997

5.600 imóveis do Centro Histórico são tombados pelo Governo do Estado
220 hectares é a extensão do Centro Histórico de São Luís

OEstado 

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