segunda-feira, 22 de abril de 2013

Vídeo mostra Júnior Bolinha trocando acuações com Gláucio Alencar e Jhonatan

Pistoleiro troca acusações com Júnior Bolinha.
 Do Imirante
 
A morte do jornalista Décio Sá completa um ano nesta terça-feira (23). Nesse período as investigações realizadas pela Polícia Civil e Ministério Público levaram ao indiciamento de 13 pessoas que teriam formado uma espécie de ‘consórcio’ para assassinar o jornalista, devido a denúncias então publicadas em seu blog, ligando um grupo de agiotas a um assassinato no Piauí. A TV Mirante teve acesso a detalhes do inquérito sobre o caso, que mostram com exclusividade como os assassinos teriam planejado o crime que chocou o país.
 
Os investigadores chegaram aos supostos mandantes do assassinato após os desdobramentos de outra investigação: o assassinato do empresário Fábio Brasil, em Teresina, no Piauí.
 
De acordo com a polícia, a quadrilha de agiotas emprestava dinheiro a juros para prefeitos durante as campanhas eleitorais. Depois de eleitos, os políticos faziam os pagamentos com dinheiro público – usando cheques.
 
Fábio Brasil era um empresário do Piauí que, segundo as investigações já fez parte da quadrilha, mas ficou devendo dinheiro para os chefes do bando: Glaúcio Alencar e o pai dele, José de Alencar Miranda.
 
Os dois teriam contratado um dos maiores pistoleiros do norte e nordeste do país – Jhonatan dos Santos Silva, que confessou ter matado quase cinquenta pessoas.
 
Uma pessoa que mantinha contato com os agiotas e que tem medo de mostrar o rosto, foi fundamental nas investigações. Ele foi o primeiro a contar à polícia, antes mesmo da prisão do pistoleiro, que teria ouvido Gláucio Alencar falar que pensava em matar Fábio Brasil: "Surgiu essa conversa que o Ricardinho  [integrante do grupo] foi lá dizer que o Fábio Brasil queria matá-lo por conta dessa... pra não pagar a dívida. Foi aí que o Glaucio se mostrava muito preocupado e veio a proposta 'dele' virar o jogo para matar o Fábio Brasil."
 
Além do assassinato de Fábio Brasil, o pistoleiro confessou ainda ter matado o jornalista Décio Sá, no dia 23 de outubro do ano passado, em São Luís – a mando da mesma quadrilha de agiotas.
A TV Mirante teve acesso aos depoimentos prestados pelos envolvidos – que foram filmados pela polícia e encaminhados ao Ministério Público e à Justiça. Também foram feitas acareações, onde os acusados mostram uma série de acusações mútuas, além de muitas contradições.
 
Primeiro, o pistoleiro confessa os crimes e aponta quem seriam os mandantes. "Eu só sei que um era o Jr. Bolinha, que contratou meus serviços e outras duas pessoas. Um é o amigo dele de infância, que é o capitão e o outro é o que ele chamava de Gláucio e que eu não conheço. Só ouvia ele falar.”
 
Todos os citados foram investigados e presos em seguida. Ao todo houve 13 indiciados pelo assassinato do jornalista, e sete ela morte do empresário Fábio Brasil, no Piauí. "Fomos a São Luís onde interrogamos pessoalmente o Jonathan, na presença do promotor Benedito Filho e ele nos confirmou que veio a teresina a mando do Glaucio".
 
No Maranhão, o pistoleiro foi colocado frente a frente com o suposto contratante, José Raimundo Sales Júnior, o Jr. Bolinha, que seria o braço direito de Glaucio na quadrilha. Bolinha negou tudo.
 
Mas o pistoleiro contou detalhes de como era a chácara de Júnior Bolinha, onde, segundo ele, eram marcados os encontros para combinar as mortes. “Casa de andar, com a frente de vidro, cercada de madeira na parte de cima. Piscina redonda, comprida, mas redonda”, explicou.
 
Exaltados, os dois chegaram a discutir no interrogatório.
 
Junior Bolinha, que seria o contratante do pistoleiro, também trocou acusações com o suposto mandante, Glaucio Alencar, apontado pela polícia como chefe da quadrilha. Glaucio admite que recebeu proposta de Bolinha para matar Fábio Brasil.
 
Os dois assumiram ainda que se encontraram em um posto de combustíveis, em São Luís, na noite anterior à morte de Brasil. Gláucio diz que foi pedir para bolinha não matar o empresário.
 
Houve ainda um outro encontro em uma panificadora na manhã seguinte, quando Fábio Brasil já havia sido assassinado. Glaucio diz que ficou sabendo ali que bolinha havia mandado matar o empresário do Piauí. Bolinha diz que marcou o encontro porque queria saber se Glaucio tinha envolvimento no crime e os dois voltaram a trocar acusações.
 
Agiotagem

 Os depoimentos colhidos durante as investigações dos assassinatos levou a polícia a descobrir que a quadrilha acusada dos crimes mantinha um esquema de agiotagem e corrupção em prefeituras que desviou mais de cem milhões de reais de cofres públicos, fraudando licitações nas áreas de saúde, merenda escolar e aluguel de máquinas.
Fábrio Brasil, morto no Piauí, teria dado um golpe na quadrilha e morreu por isso.
 
Décio Sá foi assassinado porque denunciou em seu blog o grupo que matou o empresário no Piauí também agia no Maranhão. “Essas quadrilhas emprestavam dinheiro a gestores municipais durante o período eleitoral, depois cobravam juros extorsivos a esses gestores e através de notas frias simulavam vendas às prefeituras, de medicamentos e merenda escolar. Através dessa simulação de comércio feito com essas prefeituras, conseguiam recuperar seus investimentos”, disse o secretário de Segurança Pública, Aluísio Mendes.
 
A acareação entre o suposto mandante e o homem que teria contratado o pistoleiro para cometer os dois crimes termina com a ironia de um dos acusados. “Vamos fazer o seguinte: vamos dizer que o mandante é o coelhinho da páscoa. Se não tem o mandante, prende o coelhinho da páscoa”, afirmou Glaucio Alencar.
 
 
 

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