segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Carlos Eduardo Nunes Pereira será autuado pelo crime de feminicídio e a OAB-MA repudia culpabilização da Vítima em caso de feminicídio

O saldado da Policia Militar, Carlos Eduardo Nunes Pereira será autuado pelo crime de feminicídio. Ele é acusado de matar a esposa e o amante no último sábado (25), no bairro Vicente Fialho, em São Luís.
Segundo o Departamento de Feminicídios, ele será acusado por homicídio, mais o crime foi de feminicídio contra a mulher. Em depoimento, Carlos afirmou que viu a esposa e o amante fazendo sexo e que tinha lutado com o homem antes de efetuar os disparos. No entanto, a Polícia não dá muito crédito a essa versão que envolve luta corporal.
A mulher, identificada como Bruna Lícia, foi sepultada na tarde deste domingo (26), em São José de Ribamar, região metropolitana de São Luis.
NOTA da OAB-MA
A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Maranhão, por meio da Comissão da Mulher e da Advogada – CMA/MA, vem a público repudiar mais um crime de feminicídio e homicídio ocorrido no Estado.
Nesse sábado (25), mais uma mulher foi assassinada por seu companheiro, passando a integrar as estatísticas do crime de feminicídio do Estado. Em 2019, foram registrados 48 casos. Um aumento se comparado ao ano anterior, 2018, com 43 feminicídios. Em que pese viver-se no Século XXI, mais uma mulher é vítima da violência extremada que assola a nossa sociedade.
O feminicídio é a triste consequência do machismo alicerçado na naturalização de comportamentos, que fazem pessoas acreditarem que diferenças sexuais respaldam superioridade de um gênero sobre o outro. A vida humana é feita de dissabores e escolhas. Violência não é solução, tampouco justificativa para as frustrações vividas.
Diante tamanha atrocidade, não seremos complacentes com tamanho desrespeito à dignidade da pessoa humana e banalização da vida. Logo, REPUDIAMOS, de forma veemente, o ato brutal cometido pelo policial militar que tem direito à defesa e a um julgamento justo, assim como REPUDIAMOS todos os posicionamentos de culpabilização da vítima e que incentivam o julgamento e opressão do gênero.
Expressamos nossa solidariedade às famílias das vítimas, na certeza de que a justiça será feita, assim como da continuidade do combate às violências que depreciam o viver em sociedade.
Comissão da Mulher e da Advogada da OAB/MA

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